Desde que meu pai foi da primeira vez ao Paraguai, comecei a querer ir também. Quando ele voltou de sua primeira viagem perguntei a ele:
- Pai, porque o senhor me deixou aqui?
E ele me respondeu:
- Eu faco é coisa séria.
- Mas a única coisa que o senhor faz, é viajar. Eu também queria viajar.
- Um dia vamos nós dois está bem?
- Está bem, pai.
E o tempo passou. Hoje, quase 7 anos depois estou aqui nesse lugar calmo, legal e cheio de jardins.
Quando entrei no onibus, olhei da janela, minha familia, e minha nova familia (esta última vem de minha nova mamae) me dando tchau acenando com as maos. Virei para frente e comecei a chorar, pois agora, me dei conta de que tudo que eu conhecia, estava para trás, e eu iria comecar uma vida nova. Imaginava como se eu estivesse em outro mundo. Disse para mim mesmo:
_ Adeus portugues e adeus a tudo que conheco.
Quando cheguei (nunca esqueci deste15 de janeiro), nós paramos em Itauguá. Estávamos com duas mochilas, duas malas e uma bolsa para levar nossas colchas.
A bolsa ficou dentro do onibus, pois nao avíamos encontrado o papelzinho fiscal da bolsa.
Meu pai marcou de ir no dia seguinte buscar a bolsa. Conseguiu.
Ficamos na casa do missionário Joralvo Faustino por alguns dias.
Depois fomos para Capiatá.
A rota era 15 minutos de onibus e 30 minutos andando.
Como o calor era de 44°C, pegamos um taxi.
Estávamos entre tres:
Meu pai, Lucas e eu.
Após chegarmos em Capiatá, fomos direto para a igreja, pois era um domingo.
No culto, tinha uns jovens lá na frente. Decidi que o melhor jeito de dialogar no espanhol era falar com eles.
Fui lá, mas sem falar nada, pois sou muito tímido.
No meio do culto um jovem de nome Christian, perguntou:
- Oi, é verdade que voce é brasileiro?
- Sou sim.
Nesse momento eu comecei a tremer, mas sempre olhano pra frente.
Ai a menina que estava ao lado dele (tinha a minha idade) falou pra ele?
- Pergunta a ele porque ele está tremendo tanto.
Como eu tinha escutado, respondi primeiro:
- Nao sei.
Ai ficamos até o final sem se falar.
Depois do culto fui lá pra fora e eles me seguiram.
Ficamos conversando, e eles me deram um sorvete.
Na semana seguinte, eu estava feliz demais. Estava agradecendo a Deus por me ter levado pra um bom lugar.
Ai, quando olhei pra minha mao, estava chovendo ouro, muito ouro mesmo.
E ai agradeci de novo.
Uns dias depois, a noite, meu pai sacudiu os cobertores (ele nem tinha o costume de fazer isso), e ai de uma hora pra outra, saiu uma cobra muito preta do lado, no colchao em que eu estava.
Agradeci a Deus por me ter salvado.No outro dia papai perguntou ao pastor que tipo de cobra era essa. Ele disse que era uma das mais venenosas.
Dias depois, meti uma idéia na cabeca de que havia cometido pecado contra o Espirito Santo. Isso durou durante quase um mes.
Meu pai já tem a nossa igreja prontinha. Já temos cadeiras, merendas, revistas e o Focus.
Agora eu estou na casa do missionário Joralvo, papai conheceu ele aqui no Paraguai. Ele também mora no mesmo estado que o nosso (ES). Tempos depois de buscar a Katy, que para mim é como uma mae, aconteceu um acidente de onibus (o maior do pais). Minha mae está se recuperando ainda.
Isso foram as coisas que aconteceram comigo aqui.
Mas louvo a Deus por ninguém ter morrido.